por Catarina Rüdiger
O
espírito peregrino nos faz caminhar e esta é uma agradável concepção
de vida que é desenvolvida por muitas pessoas e é o que me levou,
juntamente, com outros 4 amigos peregrinos, ao Caminho da Luz.
Este Caminho de 195 km está situado no Estado de Minas Gerais. Tem início na cidade de Tombos e está dividido em 7 etapas, passando pelas cidades de Catuné, Pedra Dourada, Faria Lemos, Carangola, Espera Feliz, Caparaó e Alto Caparaó. A última etapa é a marcante subida ao Pico da Bandeira, o 3o ponto mais alto do Brasil, com 2.890 m de altitude, a Montanha Sagrada, na Serra do Caparaó que faz parte do Parque Nacional do Caparaó e, neste ponto, pertence ao Estado do Espírito Santo.
Foi idealizado por Albino Neves, um peregrino que já trilhou Caminhos em várias partes do mundo. É todo sinalizado e a aceitação e simpatia do povo mineiro aos peregrinos é muito forte.
O peregrino do Caminho da Luz tem o privilégio de caminhar na bela paisagem de montanhas e num trajeto brilhante quando a luz do sol atinge a abundância de cristais, mica e outros minerais. Além da luz no Caminho convive-se com o canto dos pássaros, com a beleza das cachoeiras e dos campos, com o cotidiano mineiro, com o sol, chuva, poeira, lama, com o gado nos pastos e nos caminhos, com as pessoas, com a solidariedade...
Cada etapa tem sua beleza, mas chegar a um dos pontos mais altos do Brasil é uma grande emoção. É ter a oportunidade de muitas vezes agradecer a Deus por todos os Caminhos. Chegar ao cume com um grau de dificuldade grande, valeu a pena. É chegar, abrir os braços e vibrar com a chegada naquele visual de 360o de muitas montanhas, com destaque para o Pico dos Cristais que está próximo e tem 2.790 m de altitude.
Quem caminha encontra na essência da natureza a integração com o universo e cresce na espiritualidade e na convivência. A cada passo se absorve energia para diluir problemas e se reconhece a capacidade de construir, de vencer e de atingir objetivos. Para isso, não basta apenas caminhar, é necessário sentir o Caminho. Lembrando Fernando Pessoa, Navegar/Caminhar é preciso...
nov/2004